Escrevendo um e-mail para uma grande amiga que hoje
mora no Rio Grande do Sul eu me deparei com o seguinte pensamento: “ Será que
essa comunicação online traz algum benefício para a nossa escrita?”. Sem pensar
duas vezes deixei o e-mail de lado e iniciei a pesquisa.
Para sanar a minha inquietação pelo assunto descobri
alguns estudos que citam a importância de ter uma comunicação escrita como se
fosse uma conversa simples por telefone. Tudo indica que este processo está
cada dia mais comum, principalmente, com as mídias sociais, blogs e os e-mails
que resultam a preocupação no que está sendo escrito.
Há séculos atrás antes de imaginar em um dia
pronunciar a palavra internet apenas os escritores profissionais degustavam o
ato de escrever. Lembram das aulas de redação no colegial? E o suplício que era
ordenar os seus pensamentos no papel? Bom,
deixando o passado de lado...hoje nós vivemos a era mais literacia da história.
Os dados da NM Incite mostram quem de 2006 para cá o número de blogs no mundo
passou de 36 milhões para 173 milhões. Além dos blogs não podemos esquecer das mídias
sociais. A Ofcom, agência que regulamenta as comunicações britânicas, afirma
que os britânicos preferem enviar mensagens de texto a amigos e parentes
distantes do que ligar para eles ou conversar pessoalmente.
As mídias sociais oferecem um bom modelo sobre como
escrever. Primeiro, as mensagens em geral são curtas. As pessoas que usam o
Twitter muitas vezes omitem pronomes e artigos. O vocabulário tende ao casual;
os blogueiros preferem “mas” a “no entanto”. E a escrita em geral é bem crua,
não muito editada.
Em “Major Memory for Microblogs”, um recente artigo em “Memory
& Cognition”, uma publicação científica, os pesquisadores apontavam que as
pessoas têm mais facilidade para se lembrar da escrita casual de posts no
Facebook ou comentários em fóruns de discussão do que de trechos de livros ou
artigos jornalísticos. Um possível motivo é que “a produção espontânea e não
muito filtrada da mente de uma pessoa é exatamente o tipo de coisa que a mente
alheia armazena com facilidade”. É provavelmente por isso que o Twitter, o
Facebook e os reality shows de TV se tornaram sucessos.
É claro que a má escrita continua a ser abundante,
mas no geral a percepção feita pelos estudiosos pesquisados é positiva.
